Galeria Providência CARTOGRAFIA DIGITAL // MEMÓRIA NEGRA Memórias da Pequena África
METODOLOGIA // 01 SISTEMA DE PESQUISA E CURADORIA
PESQUISA // CURADORIA // DADOS // TERRITÓRIO

Como construímos uma cartografia digital da memória negra

A plataforma articula pesquisa histórica, curadoria, organização de dados, georreferenciamento e conhecimento territorial para transformar registros documentais, culturais e comunitários em uma cartografia digital conectada.

1.200 VERBETES PESQUISA CONTÍNUA VERSÃO METODOLÓGICA 1.0 ATUALIZAÇÃO // 26 de agosto de 2026
METODOLOGIA // EXPLORAR 10 SEÇÕES
  1. 01 PRINCÍPIO Cartografar não é apenas localizar
  2. 02 FLUXO METODOLÓGICO Da pesquisa ao mapa
  3. 03 BANCO DE DADOS Como o acervo é estruturado
  4. 04 CURADORIA Como as memórias são selecionadas e organizadas
  5. 05 CARTOGRAFIA Do verbete ao território
  6. 06 CATEGORIAS E TEMAS Duas formas de atravessar o acervo
  7. 07 CONEXÕES Memórias não existem isoladamente
  8. 08 FONTES E RASTREABILIDADE Preservar a origem das informações
  9. 09 ACERVO VISUAL Imagens, registros e direitos de uso
  10. 10 LIMITES E CONTINUIDADE Uma cartografia em construção
01
PRINCÍPIO

Cartografar não é apenas localizar

Memórias da Pequena África parte do entendimento de que uma cartografia da memória não pode ser reduzida à marcação de coordenadas sobre um mapa.

Cada ponto pode representar lugares, trajetórias, acontecimentos, instituições, práticas culturais, experiências comunitárias e relações históricas que ajudam a compreender a presença negra na formação da cidade do Rio de Janeiro.

CARTOGRAFIA // MEMÓRIA O território não é apenas o lugar onde uma história aconteceu. Ele também participa da produção dessa história.
01

Localizar

Identificar lugares, endereços, territórios e referências espaciais relacionadas às memórias.

02

Contextualizar

Compreender os processos históricos, culturais, sociais e urbanos ligados a cada registro.

03

Relacionar

Reconhecer que pessoas, lugares, acontecimentos e práticas culturais não existem de forma isolada.

+

Por isso, a inclusão de uma memória não depende somente de estar fisicamente localizada na Pequena África. Também são consideradas suas relações históricas, culturais, políticas, sociais, biográficas e territoriais com esse conjunto de experiências.

02
FLUXO METODOLÓGICO

Da pesquisa ao mapa

A publicação de um verbete é resultado de um processo que combina pesquisa, leitura crítica, decisões curatoriais, organização de dados, georreferenciamento e validação na própria plataforma.

Esse processo não deve ser entendido como uma sequência completamente rígida. Novas fontes, contribuições e revisões podem fazer um registro retornar a etapas anteriores.

01 PESQUISA

Levantar

Reunir documentos, publicações, acervos e conhecimentos territoriais.

02 ANÁLISE

Comparar

Confrontar informações, identificar divergências e verificar evidências.

03 CURADORIA

Selecionar

Definir pertinência, recorte, classificação e contexto do verbete.

04 DADOS

Estruturar

Organizar as informações em campos padronizados no banco de dados.

05 TERRITÓRIO

Georreferenciar

Relacionar o registro a coordenadas, endereços ou referências territoriais.

06 CONEXÕES

Relacionar

Identificar temas e outras memórias conectadas ao registro.

07 PUBLICAÇÃO

Cartografar

Disponibilizar o registro na interface pública e nas ferramentas de exploração.

08 QUALIDADE

Validar

Conferir texto, imagens, localização, relações, fontes e experiência de uso.

01 PESQUISAR CURAR ESTRUTURAR CARTOGRAFAR REVISAR
03
BANCO DE DADOS

Como o acervo é estruturado

Cada memória é organizada como um registro estruturado. Isso permite que o mesmo acervo alimente o mapa, a pesquisa textual, os filtros, os temas, as conexões e os painéis narrativos.

O banco de dados funciona como infraestrutura de organização. Ele não substitui a pesquisa ou a curadoria: transforma decisões metodológicas em informações que podem ser consultadas pela plataforma.

DADOS // REGISTRO

Estrutura de uma memória

● ESTRUTURADO
01
IDENTIFICAÇÃO

ID · Verbete · Categoria · Classe

02
TERRITÓRIO

Bairro · Endereço · Latitude · Longitude

03
NARRATIVA

Descrição · Importância · Curiosidade

04
CONEXÕES

Temas · Memórias relacionadas · Onomásticos

05
ACERVO

Imagens · Fontes · Código · Slug

INFRAESTRUTURA // PLATAFORMA
MYSQL PHP JAVASCRIPT LEAFLET APIs INTERNAS HTML + CSS
+

A separação dos dados em campos estruturados permite realizar buscas, filtros, atualizações e diferentes formas de visualização sem transformar o acervo em uma coleção de textos isolados.

04
CURADORIA

Como as memórias são selecionadas, organizadas e relacionadas

A construção do acervo não acontece de forma automática. A existência de uma informação em um livro, documento, arquivo, página digital ou relato não determina, por si só, sua inclusão ou a maneira como será apresentada.

A curadoria envolve decisões sobre pertinência, contexto, classificação, redação, relações, fontes e formas de representação.

DADO ≠ CURADORIA A tecnologia organiza informações. A curadoria interpreta, contextualiza e estabelece relações.
01

Pertinência

Avaliar a relação do registro com a memória negra, a Pequena África, o Morro da Providência e os processos históricos, culturais e territoriais relacionados à plataforma.

02

Contexto

Situar pessoas, lugares, instituições, acontecimentos e práticas em seus contextos históricos, sociais, culturais e territoriais.

03

Representação

Evitar narrativas que reduzam pessoas negras, comunidades e territórios exclusivamente à violência, pobreza, exclusão ou apagamento.

04

Revisão

Reavaliar títulos, classificações, descrições, coordenadas, relações, imagens e referências quando novas informações forem incorporadas.

CURADORIA // LEITURA CRÍTICA
IDENTIFICAR COMPARAR CONTEXTUALIZAR RELACIONAR REVISAR
+

Quando diferentes fontes apresentam versões divergentes, a plataforma procura não transformar hipóteses em certezas. Divergências relevantes podem ser registradas, contextualizadas e mantidas abertas à revisão.

+

Conhecimentos de moradores, pesquisadores, agentes culturais e instituições também podem contribuir para identificar lugares, corrigir informações e compreender usos e significados do território.

05
CARTOGRAFIA

Do verbete ao território

O georreferenciamento associa registros do acervo a coordenadas, endereços ou referências territoriais que possibilitam sua visualização no mapa.

Essa associação exige cuidado porque nem toda memória possui uma localização exata, atual ou verificável. Lugares podem ter desaparecido, ruas podem ter mudado de nome e determinadas experiências podem estar relacionadas a territórios mais amplos, e não a um único endereço.

01 ACERVO Verbete
02 PESQUISA Referência territorial
03 VALIDAÇÃO Coordenada
04 INTERFACE Ponto no mapa
01

Localização exata

Utilizada quando existe endereço verificável diretamente relacionado à memória.

02

Localização histórica

O endereço é conhecido, mas o imóvel ou a configuração urbana sofreu transformações.

03

Localização aproximada

As fontes permitem identificar uma rua ou região, mas não um ponto preciso.

04

Referência territorial

Utilizada quando uma memória está relacionada a uma área ou território, sem possuir sede ou endereço único.

05

Referência memorial

Um local relacionado à trajetória de uma pessoa ou experiência funciona como referência cartográfica.

06

Local transformado

Utilizada quando edificações foram demolidas ou o espaço sofreu grandes alterações urbanas.

PRECISÃO // CARTOGRÁFICA Localização não é sinônimo de certeza absoluta.

Quando as evidências disponíveis não permitem confirmar uma coordenada precisa, a plataforma evita apresentar essa localização como definitiva.

+

Registros sem coordenadas consideradas válidas podem continuar pertencendo ao acervo. A ausência de localização cartográfica não elimina sua relevância histórica ou cultural.

06
CATEGORIAS E TEMAS

Duas formas de atravessar o acervo

A plataforma utiliza diferentes camadas de classificação para permitir que um acervo amplo possa ser explorado por diferentes caminhos.

Categoria e tema cumprem funções diferentes: uma organiza o registro principal; a outra permite estabelecer atravessamentos entre memórias.

01 ORGANIZAÇÃO // PRINCIPAL

Categoria

Indica o grande conjunto utilizado para organizar cada registro e possibilitar filtros no mapa.

PERGUNTA O que é esta memória dentro do acervo?
02 CONEXÃO // TRANSVERSAL

Tema

Permite associar uma mesma memória a diferentes questões históricas, culturais, políticas e territoriais.

PERGUNTA Que questões atravessam esta memória?
EXEMPLO // NAVEGAÇÃO
Pequena África + Patrimônio CONJUNTO FILTRADO DE MEMÓRIAS
UMA MEMÓRIA // MÚLTIPLAS CAMADAS

Um lugar pode ser simultaneamente patrimônio, espaço religioso, local de trabalho, referência cultural e território de resistência. A categoria principal facilita a organização, enquanto os temas permitem preservar essa complexidade.

+

As classificações não são tratadas como definições imutáveis. Elas podem ser revistas quando novas pesquisas ou decisões curatoriais indicarem outra forma de organizar o registro.

07
CONEXÕES

Memórias não existem isoladamente

Pessoas, lugares, instituições, grupos, obras, acontecimentos e práticas culturais formam redes que atravessam diferentes momentos e territórios.

Por isso, a plataforma procura organizar não apenas registros individuais, mas também as relações existentes entre eles. Essas conexões ampliam as possibilidades de pesquisa e ajudam a compreender o acervo como uma rede de memórias.

MEMÓRIA VERBETE CENTRAL
01 Pessoas
02 Lugares
03 Instituições
04 Grupos
05 Obras
06 Acontecimentos
RELAÇÃO // CURADORIA Conectar não significa apenas encontrar palavras iguais.

As relações procuram representar vínculos históricos, territoriais, biográficos, institucionais ou culturais identificados durante a pesquisa e a organização do acervo.

+

As conexões não são tratadas como relações definitivas. Novas pesquisas podem acrescentar, alterar ou remover associações à medida que o conhecimento sobre o acervo se amplia.

08
FONTES E RASTREABILIDADE

Como buscamos preservar a origem das informações

A rastreabilidade faz parte da metodologia da plataforma. Sempre que possível, os verbetes devem permitir identificar as referências utilizadas em sua construção e contextualização.

A presença de uma fonte não significa que suas interpretações sejam automaticamente aceitas como definitivas. As referências também passam por leitura crítica, comparação e contextualização.

01

Produção acadêmica

Livros, artigos, teses, dissertações e pesquisas.

02

Documentação

Documentos históricos, inventários, mapas e registros.

03

Acervos

Museus, arquivos, instituições culturais e órgãos públicos.

04

Imprensa

Jornais, revistas e fontes jornalísticas contextualizadas.

05

Fontes comunitárias

Conhecimentos produzidos por moradores e agentes territoriais.

06

Fontes orais

Relatos, entrevistas, memórias familiares e testemunhos.

PESQUISA // RASTREABILIDADE
FONTE LEITURA COMPARAÇÃO CONTEXTUALIZAÇÃO REFERÊNCIA PÚBLICA
CRITÉRIO // REFERÊNCIAS

Sempre que possível, verbetes revisados devem reunir mais de uma referência para sustentar suas informações principais.

+

Fontes orais e conhecimentos comunitários não são considerados inferiores às fontes escritas. Seu uso exige cuidado com autoria, contexto, data, autorização e possíveis versões diferentes de um mesmo acontecimento.

09
ACERVO VISUAL

Imagens, registros e direitos de uso

As imagens integram a construção narrativa dos verbetes e podem possuir função histórica, documental, informativa, educativa ou contextual.

A presença de uma imagem na internet não significa automaticamente que ela esteja livre para uso. Sempre que possível, a plataforma procura registrar autoria, origem, acervo e condição de utilização.

01 ACERVO // DOCUMENTO

Imagem documental

Representa diretamente a pessoa, lugar, documento, acontecimento, obra ou instituição apresentada.

02 ACERVO // CONTEXTO

Imagem simbólica

Ajuda a contextualizar determinado tema, mas não corresponde necessariamente ao objeto histórico exato do verbete.

IMAGEM // FICHA RASTREABILIDADE VISUAL
TÍTULO / DESCRIÇÃO AUTORIA DATA ACERVO INSTITUIÇÃO ORIGEM CONDIÇÃO DE USO LICENÇA / AUTORIZAÇÃO
DIREITOS // CUIDADO

Memória também exige responsabilidade.

O uso de imagens deve considerar autoria, direitos de uso, privacidade e dignidade das pessoas representadas.

+

Fotografias contemporâneas envolvendo moradores, estudantes, crianças ou participantes de atividades demandam atenção especial à autorização e à proteção de dados pessoais.

10
LIMITES E CONTINUIDADE

Uma cartografia em construção

A Memórias da Pequena África não pretende constituir um inventário definitivo ou encerrado.

O acervo é entendido como uma estrutura em desenvolvimento, capaz de incorporar novas pesquisas, fontes, imagens, correções, relações, interpretações e conhecimentos territoriais.

TRANSPARÊNCIA // LIMITES O que ainda precisa ser ampliado
REVISÃO PROGRESSIVA DOS VERBETES FONTES AINDA INCOMPLETAS LOCALIZAÇÕES APROXIMADAS CRÉDITOS VISUAIS PENDENTES DIVERGÊNCIAS HISTÓRICAS AMPLIAÇÃO DA ACESSIBILIDADE TESTES COM DIFERENTES PÚBLICOS AMPLIAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA
ACERVO // CICLO CONTÍNUO
PESQUISAR REVISAR OUVIR CORRIGIR AMPLIAR
TERRITÓRIO // CONHECIMENTO

Participação comunitária

Moradores, estudantes, educadores, artistas, pesquisadores e instituições podem contribuir para identificar, corrigir, contextualizar e ampliar as memórias registradas.

Essas contribuições passam por avaliação antes da publicação. Participação comunitária não é entendida apenas como coleta de dados: moradores também são produtores de conhecimento e intérpretes do território.

COMPROMISSO // METODOLOGIA

Cartografar também significa fazer escolhas.

Selecionar um ponto, escrever uma descrição, relacionar uma memória, escolher uma imagem ou definir uma categoria interfere na forma como o território será compreendido.

NÃO TRANSFORMAR HIPÓTESES EM CERTEZAS INFORMAR LOCALIZAÇÕES APROXIMADAS RECONHECER DIVERGÊNCIAS ENTRE FONTES VALORIZAR CONHECIMENTOS COMUNITÁRIOS RESPEITAR AUTORIAS E DIREITOS MANTER O ACERVO ABERTO À REVISÃO
FICHA // METODOLOGIA

Ficha metodológica

INICIATIVA INSTITUCIONAL Galeria Providência Rio de Janeiro — RJ
IDEALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO Gabriel Ferreira Tecnologia, cartografia digital, curadoria e dados
CURADORIA Elisa Carvalho Historiadora formada pela UFRJ · Cria do Morro da Providência
BASE TECNOLÓGICA MySQL · PHP · JavaScript · Leaflet HTML · CSS · APIs internas
NATUREZA DO ACERVO Cartografia digital Histórica · Cultural · Territorial · Comunitária
VERSÃO METODOLÓGICA 1.0 Atualização contínua
ATUALIZAÇÃO 26 de agosto de 2026 Memórias da Pequena África
METODOLOGIA // V1.0

Esta metodologia documenta o estado atual de construção da plataforma e poderá ser revista à medida que novas experiências de pesquisa, curadoria, participação e desenvolvimento forem incorporadas.

Considerações finais

A metodologia da plataforma Memórias da Pequena África combina pesquisa histórica, curadoria digital, organização de dados, cartografia e conhecimento territorial.

O mapa não é apresentado como uma representação neutra ou definitiva da cidade. Ele é uma forma de organizar e comunicar narrativas que durante muito tempo foram apagadas, fragmentadas ou pouco reconhecidas.

A plataforma seguirá em construção, reconhecendo que preservar a memória também significa revisar, ouvir, aprender, corrigir e compartilhar responsabilidades.

A cartografia apresentada nesta plataforma não registra apenas onde as histórias aconteceram. Ela busca compreender como essas histórias continuam presentes nos territórios, nas comunidades e nas disputas pelo direito à memória e à cidade.