Galeria Providência Memórias da Pequena África Uma iniciativa da Galeria Providência
Sobre a plataforma

Memórias, territórios e experiências negras no Rio de Janeiro

Uma plataforma digital de cartografia histórica, cultural e comunitária dedicada à organização, localização e divulgação das memórias negras da Pequena África, do Morro da Providência e dos territórios relacionados.

01 — Apresentação

Uma cartografia digital da memória negra

Memórias da Pequena África é uma iniciativa da Galeria Providência dedicada à construção de uma cartografia digital das memórias, trajetórias, patrimônios e experiências negras que constituem a Pequena África, o Morro da Providência e outros territórios da Região Central e Portuária do Rio de Janeiro.

A plataforma articula tecnologia, pesquisa, curadoria e conhecimento territorial para reunir, organizar e georreferenciar personagens, lugares, manifestações culturais, instituições, patrimônios, acontecimentos históricos, produções artísticas e experiências comunitárias.

Ao transformar essas informações em uma base digital acessível e territorializada, o projeto busca ampliar as possibilidades de pesquisa, educação, preservação da memória, produção cultural e reconhecimento da contribuição histórica da população negra para a formação social, cultural e urbana do Rio de Janeiro.

02 — Origem

Por que cartografar essas memórias?

A Região Central e Portuária do Rio de Janeiro é marcada profundamente pela presença africana e afro-brasileira. Sua história atravessa a diáspora africana, o trabalho da população negra, as religiosidades afro-brasileiras, o samba, as formas comunitárias de organização e as lutas pelo direito à moradia, à memória e ao território.

Apesar de sua importância para a formação histórica e cultural da cidade, muitas dessas trajetórias foram submetidas a processos de apagamento, fragmentação e invisibilização, ou registradas de maneira distante das experiências e dos conhecimentos produzidos nos próprios territórios.

A Memórias da Pequena África nasce da necessidade de aproximar essas diferentes camadas de memória e torná-las mais acessíveis, relacionando informações, narrativas e referências históricas aos lugares onde essas histórias aconteceram e continuam produzindo sentidos.

Ao utilizar a cartografia digital como instrumento de organização e acesso ao conhecimento, a plataforma busca fortalecer processos de pesquisa, educação, preservação cultural e participação comunitária, contribuindo para ampliar as formas de conhecer, interpretar e narrar esse território.

O território não é apenas um espaço geográfico. Ele é constituído por relações sociais, experiências, conflitos, afetos, conhecimentos, práticas culturais, memórias e diferentes formas de pertencimento.
03 — Territórios

Um território conectado por memórias

A Pequena África constitui o núcleo territorial e conceitual da plataforma. A partir dela, o projeto estabelece conexões com o Morro da Providência e outros lugares da Região Central e Portuária do Rio de Janeiro vinculados à presença, às trajetórias e às experiências históricas e contemporâneas da população negra.

Esses territórios não são tratados como espaços isolados nem como fronteiras fixas. Pessoas, práticas culturais, religiosidades, redes de sociabilidade, atividades econômicas, movimentos comunitários e experiências de resistência estabeleceram — e continuam estabelecendo — relações entre diferentes partes da cidade.

Por isso, a cartografia da Memórias da Pequena África adota uma perspectiva relacional: um registro pode integrar a plataforma sempre que sua trajetória possuir conexão histórica, cultural, social ou territorial com o campo de pesquisa do projeto.

Gamboa Saúde Santo Cristo Cidade Nova Centro Morro da Providência Praça Onze Região Portuária
04 — Acervo

Um acervo vivo e territorializado

O acervo Memórias da Pequena África reúne diferentes tipos de registros relacionados às histórias, práticas culturais, patrimônios, instituições, personagens e experiências que constituem os territórios pesquisados pela plataforma.

Organizados em uma base digital e associados às suas dimensões territoriais, esses registros permitem estabelecer conexões entre pessoas, lugares, acontecimentos e narrativas, ampliando as possibilidades de pesquisa, consulta, interpretação e circulação dessas memórias.

  • Personagens e lideranças comunitárias
  • Artistas, músicos e sambistas
  • Instituições culturais e museus
  • Lugares de religiosidade e espiritualidade
  • Patrimônios materiais e imateriais
  • Moradias e lugares de memória
  • Manifestações culturais e religiosas
  • Festas, cortejos e rodas de samba
  • Obras artísticas e produções audiovisuais
  • Transformações e acontecimentos urbanos
  • Experiências de resistência comunitária
  • Processos de remoção e apagamento

Os indicadores abaixo apresentam um retrato atual da dimensão e do estágio de organização do acervo digital.

1.200 verbetes cadastrados no banco de dados
1.108 registros com coordenadas válidas no mapa
9 categorias utilizadas na organização do acervo
20 verbetes prioritários com revisão ampliada
05 — Processo

Uma cartografia em construção

Memórias da Pequena África é concebida como uma plataforma em processo contínuo de pesquisa, curadoria, revisão e ampliação. O acervo não é apresentado como uma narrativa concluída ou definitiva, mas como uma construção que pode incorporar novas fontes, interpretações, documentos e conhecimentos produzidos sobre os territórios.

Parte das informações históricas reunidas pela plataforma apresenta divergências entre pesquisadores, instituições, documentos e memórias comunitárias. Em outros casos, transformações urbanas modificaram profundamente os lugares: edifícios foram demolidos, ruas desapareceram, endereços foram alterados e determinados espaços deixaram de existir em sua configuração original.

Por essa razão, os pontos apresentados no mapa podem representar diferentes níveis de precisão territorial: uma localização exata, um endereço histórico, uma localização aproximada, um território de atuação, um lugar de referência memorial ou uma instituição que atualmente preserva determinada memória.

Sempre que necessário, essas condições devem ser consideradas na interpretação dos registros. A plataforma busca tornar visíveis as fontes utilizadas, reconhecer possíveis divergências e atualizar seus conteúdos à medida que novas pesquisas e informações são incorporadas ao processo curatorial.

O acervo continuará sendo ampliado por meio de fontes documentais, pesquisas, imagens, relatos, atividades educativas e contribuições de moradores, pesquisadores, instituições e agentes culturais, fortalecendo o caráter vivo e colaborativo da plataforma.

06 — Objetivos

O que buscamos construir

Preservar e valorizar memórias negras

Identificar, registrar e ampliar a circulação de histórias, trajetórias, práticas culturais, patrimônios e experiências negras fundamentais para a formação do Rio de Janeiro.

Organizar e conectar conhecimentos

Reunir informações presentes em pesquisas, documentos, acervos, instituições e memórias comunitárias, estabelecendo relações entre pessoas, lugares, acontecimentos e territórios.

Fortalecer práticas educativas

Disponibilizar recursos que possam apoiar estudantes, professores, moradores, educadores, instituições culturais e iniciativas de educação patrimonial e territorial.

Integrar tecnologia e território

Utilizar cartografia digital, desenvolvimento web e organização de dados como ferramentas para ampliar o acesso às memórias, culturas e conhecimentos produzidos nos territórios.

Ampliar possibilidades de pesquisa

Estruturar uma base de consulta capaz de apoiar pesquisas sobre memória social, história urbana, cultura negra, patrimônio, território, educação e políticas públicas.

Fortalecer o direito à memória

Contribuir para que moradores, comunidades e diferentes públicos possam conhecer, interpretar, preservar e compartilhar as histórias relacionadas aos territórios e às experiências negras da cidade.

07 — Princípios

Compromissos que orientam a plataforma

  • Centralidade das histórias e experiências negras
  • Valorização dos conhecimentos territoriais
  • Respeito às memórias comunitárias
  • Transparência sobre divergências históricas
  • Utilização responsável de fontes e imagens
  • Reconhecimento de autorias e acervos
  • Participação de moradores e instituições locais
  • Combate ao apagamento histórico
  • Acessibilidade e democratização do conhecimento
  • Revisão contínua das informações publicadas
08 — Público

Para quem construímos esta plataforma?

  • Moradores da Pequena África, da Providência e dos territórios relacionados
  • Estudantes da educação básica, técnica e superior
  • Professores, educadores e projetos educativos
  • Pesquisadores e grupos de pesquisa
  • Escolas, universidades e instituições de ensino
  • Museus, arquivos e instituições culturais e de memória
  • Movimentos, coletivos e organizações comunitárias
  • Artistas, produtores e agentes culturais
  • Gestores públicos e profissionais de políticas públicas
  • Visitantes e pessoas interessadas na história e na cultura negra do Rio de Janeiro

Contribuições, correções e novas memórias

Memórias da Pequena África reconhece que a construção de uma cartografia da memória depende da participação de diferentes pessoas e instituições ligadas aos territórios e às histórias registradas na plataforma. Moradores, pesquisadores, familiares, instituições culturais, detentores de acervos e agentes culturais poderão contribuir com correções, novas referências, documentos, fotografias autorizadas, relatos, memórias, informações sobre lugares e sugestões de novos verbetes.

As contribuições recebidas serão analisadas antes de sua incorporação ao acervo, considerando critérios de pertinência territorial, verificação das informações, identificação de fontes, direitos de uso e avaliação curatorial. Esse processo busca ampliar o acervo preservando a responsabilidade e a transparência na publicação dos conteúdos.

Canal de contribuições em implantação
09 — Direitos

Fontes, imagens e direitos de uso

Os conteúdos da plataforma Memórias da Pequena África são construídos a partir de diferentes conjuntos de fontes, incluindo pesquisas acadêmicas, documentos históricos, acervos institucionais, publicações jornalísticas, github, referências bibliográficas e conhecimentos e memórias produzidos nos territórios.

Sempre que possível, a plataforma busca identificar e apresentar as fontes relacionadas aos registros publicados, contribuindo para a transparência do processo de pesquisa e permitindo que usuários aprofundem a consulta às referências utilizadas.

Fotografias, documentos, obras e demais materiais visuais podem estar submetidos a diferentes condições de uso, incluindo domínio público, licenças abertas, autorizações específicas, acervos institucionais ou direitos pertencentes a terceiros.

A publicação de um material na plataforma não transfere sua autoria nem altera seus direitos de propriedade intelectual. Os créditos e referências devem permanecer associados aos respectivos autores, fotógrafos, instituições, coleções e acervos sempre que identificados.

MEMÓRIAS DA PEQUENA ÁFRICA // PESQUISA, CURADORIA E RESPONSABILIDADE

Memórias da Pequena África é uma iniciativa da Galeria Providência. A plataforma reúne conteúdos de diferentes procedências e reconhece as respectivas autorias, fontes, acervos, licenças e condições de utilização.

A reprodução, reutilização ou redistribuição de conteúdos deve considerar a autoria, a origem e as condições de uso específicas de cada material, respeitando os direitos de terceiros e a legislação aplicável.

10 — Continuidade

Lembrar, compreender e transformar

Lembrar é reconhecer que os territórios são formados não apenas por construções, monumentos e transformações urbanas, mas também pelas pessoas que neles viveram, trabalharam, criaram, ensinaram, celebraram, resistiram e teceram comunidades, culturas e formas de pertencimento.

Compreender essas memórias significa estabelecer conexões entre lugares, trajetórias, acontecimentos e saberes, reconhecendo a população negra e seus territórios não apenas como parte da história da cidade, mas como produtores de história, cultura, memória e conhecimento sobre o Rio de Janeiro.

Transformar significa manter a plataforma Memórias da Pequena África em permanente desenvolvimento. Por meio da iniciativa da Galeria Providência, a plataforma seguirá ampliando seu acervo, suas pesquisas, seus processos educativos, suas articulações institucionais e suas formas de participação, incorporando novas tecnologias e ampliando as possibilidades de acesso às memórias dos territórios.

FICHA TÉCNICA // CRÉDITOS MPA / GP / 2026
Iniciativa institucional Galeria Providência Rio de Janeiro — RJ
Idealização e desenvolvimento Gabriel Ferreira Tecnologia, curadoria, cartografia digital e dados
Curadoria Elisa Carvalho Historiadora formada pela UFRJ • Cria do Morro da Providência